CONTEXTUALIZAÇÃO
Na 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), em 2015, foi adotado o “Acordo de Paris”, cujo objetivo principal é manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Cada país signatário estabeleceu metas de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE), chamadas “Contribuição Nacionalmente Determinada” (NDC, em inglês).
A NDC brasileira, atualizada em 2023, estabelece a meta de reduzir as emissões em 48,4% em 2025, e 53,1% em 2030 (percentuais calculados em relação às emissões de 2005). Ainda, reitera o objetivo de longo prazo de alcançar a neutralidade climática¹ até 2050.
Como instrumentos normativos e de política pública para orientar e auxiliar o país na mitigação e adaptação à emergência climática, vale a pena destacar: (i) o Código Florestal (lei 12.651/12, que instituiu, dentre outros instrumentos de governança ambiental, o Cadastro Ambiental Rural e as Cotas de Reserva Ambiental); (ii) o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm); e (iii) o Plano de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Plano ABC+).
Para atingir os objetivos e honrar os compromissos internacionais acima elencados, mormente por intermédio da efetiva implementação do Código Florestal e do Plano ABC+, torna-se imprescindível que o Brasil estabeleça ou aprimore políticas públicas de redução do desmatamento, baseadas em informações robustas acerca da dinâmica do uso da terra na região amazônica e dos diferentes instrumentos e incentivos à preservação e restauração florestal. Neste sentido, o projeto vem exercer papel relevante ao elaborar estudos atualizados e consolidados para subsidiar políticas e ações quanto ao tema.
¹ A neutralidade climática é o equilíbrio entre as emissões e as absorções dos gases de efeito estufa (GEE).
O PROJETO
O projeto abrange 2 componentes, com os seguintes produtos:
Componente 1: estudos sobre a implementação do Código Florestal e seu efeito para cumprir a NDC brasileira e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) (incluindo ações de restauração florestal); e criação de metodologia para avaliação dos impactos socioambientais e sobre o desmatamento (e as emissões de GEE) de grandes obras de infraestrutura na Amazônia.
Produto 1.1: banco de dados geográfico com versão atualizada do Cadastro Ambiental Rural (CAR), trajetórias de mudanças de uso da terra na Amazônia e análise de impactos no Código Florestal.
Produto 1.2: análise de cenários de destinação de terras públicas não designadas e seu impacto no desmatamento da Amazônia.
Produto 1.3: análise do mercado de Cotas de Reserva Ambiental (CRA).
Produto 1.4: relatório sobre projeções de restauração florestal e emissões em diferentes cenários de políticas públicas.
Produto 1.5: metodologia para avaliação de impactos de grandes obras de infraestrutura na Amazônia e estudos de casos pertinentes.
Componente 2: estudos sobre a implementação do Plano ABC+ e seus efeitos na redução de emissões; projeções de tendências de crescimento de produção e produtividade na agropecuária e seus efeitos sobre a Amazônia; e modelagem dos efeitos das mudanças climáticas sobre a produção do setor.
Produto 2.1: levantamento de sistemas agrícolas integrados na Amazônia e seus impactos.
Produto 2.2: validação de metodologia para mapeamento e monitoramento de sistemas agrícolas integrados, a partir de imagens de satélite.
Produto 2.3: simulações sobre o futuro da produção agrícola e proteção ambiental na Amazônia.
Produto 2.4: modelagem do impacto de mudanças climáticas sobre a produção agrícola.
LÓGICA DE INTERVENÇÃO
O projeto insere-se na componente "Produção sustentável" (1) e "Instrumentos normativos e econômicos" (4) do Quadro Lógico do Fundo Amazônia.
Na Componente 1, apoia a identificação e o desenvolvimento de atividades econômicas de uso sustentável da floresta e da biodiversidade. Na Componente 4, fomenta a produção, difusão e utilização de conhecimentos e tecnologias voltados à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade, ao monitoramento e controle do desmatamento e ao ordenamento territorial.