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Projeto

Florestas de Mangue

Universidade Federal do Pará (UFPA) e Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp)

Site oficial do projeto
Valor Total do Projeto
R$ 1.982.143,00
Valor do apoio do Fundo Amazônia
R$ 1.982.143,00
Concluído

Apresentação

Objetivos

(i) Construção e aparelhamento de um laboratório para pesquisas sobre ecologia de manguezais no campus da UFPA no município de Bragança (PA); (ii) pesquisa e desenvolvimento de conhecimentos e técnicas relacionadas à recuperação de áreas degradadas de mangue na região Norte; e (iii) desenvolvimento de modelos para estimativa da biomassa, sequestro de carbono e avaliação do estoque de carbono das florestas de mangue

Beneficiários

UFPA, comunidade científica, comunidades tradicionais de Tamatateua e Taperaçu da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu e outras comunidades da região

Abrangência territorial

Município de Bragança, estado do Pará

Descrição

CONTEXTUALIZAÇÃO

O projeto Florestas de Mangue foi coordenado pelo Laboratório de Ecologia de Manguezal (Lama) vinculado ao Instituto de Estudos Costeiros (Iecos), localizado na UFPA no campus de Bragança.

A área de estudo do projeto localiza-se na península bragantina, onde foi implantada a Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu (Resex). O projeto abrangeu duas comunidades tradicionais da Resex, Tamatateua e Taperaçu, e o entorno da rodovia estadual PA-458. 

O PROJETO

O projeto teve por objetivo pesquisar e desenvolver conhecimentos e técnicas relacionadas à recuperação de áreas degradadas de mangue na região Norte. No âmbito do projeto, também foram desenvolvidos modelos para estimativa da biomassa, sequestro de carbono e avaliação do estoque de carbono das florestas de mangue.

Foi construído e aparelhado o Lama da UFPA, onde ficaram os materiais e equipamentos da pesquisa e analisado o material coletado.

LÓGICA DE INTERVENÇÃO

O projeto se insere na componente "Ciência, Inovação e Instrumentos Econômicos" (4) do Quadro Lógico do Fundo Amazônia, tendo como efeito direto esperado a geração de conhecimento e o desenvolvimento de tecnologias para a recuperação de áreas desmatadas de mangue no bioma Amazônia e a captura e armazenamento de carbono nesse ecossistema.

Para tanto foram previstas e realizadas: (i) a construção e aparelhamento de um laboratório para pesquisas sobre ecologia de manguezais no campus da UFPA, no município de Bragança (PA); (ii) pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias para recuperação de áreas degradadas de mangue no bioma Amazônia; e (iii) pesquisa para o desenvolvimento de modelos para estimativa da biomassa, sequestro de carbono e avaliação do estoque de carbono nesse ecossistema.

Espera-se que as atividades de ciência, tecnologia e inovação que foram implementadas pelo projeto contribuam para a recuperação, a conservação e o uso sustentável do bioma Amazônia.

 

Evolução

Data da aprovação 24.01.2012
Data da contratação 17.07.2012
Data da conclusão 30.09.2017
Prazo de utilização 70 meses (a partir da data da contratação)
aprovação
24.01.2012
contratação
17.07.2012
conclusão
30.09.2017

Desembolsos

ano valor
1º desembolso 07.12.2012 R$ 1.079.947,00
2º desembolso 27.05.2014 R$ 456.177,96
3º desembolso 17.09.2015 R$ 446.018,04
Valor total desembolsado R$ 1.982.143,00

Valor total desembolsado em relação ao valor do apoio do Fundo Amazônia

100%

ATIVIDADES REALIZADAS

Foi construído o Lama, no campus da UFPA no município de Bragança (PA), para o desenvolvimento de linhas de pesquisa nas áreas de ecologia das florestas de mangue e de estudos socioambientais das populações que nelas habitam.

As principais atividades de pesquisa realizadas no escopo do projeto consistiram em: (i) desenvolvimento de modelos biomassa e sequestro de carbono, com a publicação de cinco dissertações de mestrado e duas teses de doutorado; (ii) zoneamento e exploração de madeira, com a publicação de uma monografia de graduação e uma tese de doutorado; (iii) zoneamento e exploração do caranguejo-uçá, com a publicação de quatro monografias de graduação, duas dissertações de mestrado e uma tese de doutorado; (iv) infestação por galhas, com a publicação de uma monografia de graduação e uma dissertação de mestrado; e (v) medição da sobrevivência, mortalidade e crescimento de plântulas, com a publicação de três monografias de graduação.

Foram plantados 60.400 mudas e propágulos em cerca de nove hectares de área de mangue e realizado um workshop intitulado “Recuperação dos Manguezais Amazônicos: uma Abordagem Ecológica e Socioambiental” no campus de Bragança (UFPA), quando foram apresentados temas como a produtividade primária e secundária das florestas de mangue e a recuperação de suas áreas degradadas.

Avaliação Final

ASPECTOS INSTITUCIONAIS E ADMINISTRATIVOS

O projeto teve como beneficiária a Fadesp e como interveniente técnica a UFPA. A Fadesp, criada em 1976 para dar suporte às atividades da UFPA, atua em projetos de pesquisa, ensino, extensão, desenvolvimento institucional e prestação de serviços técnicos especializados não só no âmbito da UFPA, mas em diversas instituições públicas e privadas.

A UFPA é uma instituição de pesquisa e ensino da região Norte, criada em 1957. É constituída por 14 institutos, sete núcleos, 36 bibliotecas universitárias, dois hospitais universitários e uma escola de aplicação, abrigando uma comunidade composta por mais de cinquenta mil pessoas. Esse projeto foi coordenado pelo Laboratório de Ecologia de Manguezal (Lama), do Instituto de Estudos Costeiros, que está localizado no campus de Bragança (UFPA), a 200 km de Belém. O grupo reuniu 22 pesquisadores do instituto, incluindo alunos de graduação, mestrado e doutorado, além dos professores.

INDICADORES DE RESULTADOS E IMPACTOS

As atividades do projeto contribuíram para os resultados relacionados à componente "ciência, inovação e instrumentos econômicos" (4) do Quadro Lógico do Fundo Amazônia.

Efeito direto 4.1: Geração de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias para recuperação de áreas desmatadas de mangue no bioma Amazônia e captura e armazenamento de carbono nesse ecossistema

Os principais indicadores pactuados para o monitoramento desses objetivos foram:

  • Número de teses e artigos científicos publicados (indicador de efetividade)

Resultados alcançados: quatro teses de doutorado, sete dissertações de mestrado e nove trabalhos de conclusão de curso defendidos

  • Número de publicações pedagógicas ou informativas (indicador de efetividade)

Resultados alcançados: um livro

  • Medição do número de pesquisadores e técnicos envolvidos nas atividades de PD&I fixados na região (indicador de efetividade)

Meta: 15 pesquisadores. Resultado alcançado: 21 pesquisadores e 1 técnico fixados na região durante a implementação do projeto

  • Medição da quantidade de carbono capturado e armazenado nas áreas de mangue efetivamente reflorestadas pelas tecnologias desenvolvidas no projeto (indicador de efetividade)

Meta: não definida. Resultado alcançado: foram obtidos avanços em relação às estimativas da quantidade de biomassa que contém o manguezal e do carbono sequestrado e armazenado nos manguezais amazônicos

  • Área replantada (indicador de eficácia)

Meta: 5,7 hectares. Resultado alcançado: 9 hectares

  • Medição do número de mudas produzidas (indicador de eficácia)

Meta: 40.000. Resultado alcançado: 55.400 mudas e 5 mil propágulos plantados

  • Área de laboratório construída (indicador de eficácia)

Meta: 325 m2. Resultado alcançado: 325 m2, incluindo os equipamentos necessários à realização das pesquisas

A ampliação da infraestrutura do laboratório e a aquisição de equipamentos têm se mostrado relevantes para a geração de conhecimento e o desenvolvimento de tecnologias, com a publicação de teses, artigos científicos, publicações pedagógicas e criação de novos produtos ou processos tecnológicos. O veículo adquirido com recursos do projeto viabilizou pesquisas de campo que antes não eram possíveis. O auditório construído oferece um espaço mais adequado para realização de defesas de monografias, dissertações e teses, palestras e cursos. A estrutura física do laboratório possibilitou receber pesquisadores e desenvolver os estudos, promovendo um aumento no potencial de formação de recursos humanos e uma ampliação no horizonte de pesquisa e extensão.

Além da construção do laboratório, fundamental para o desenvolvimento de linhas de pesquisa nas áreas de ecologia das florestas de mangue e de estudos socioambientais das populações que nelas habitam, cabe destaque para o plantio de 60.400 mudas e propágulos em nove hectares na região bragantina, maior área degradada de manguezal da costa amazônica brasileira. Esse replantio é um avanço não só pelo desenvolvimento de tecnologias para a recuperação das áreas degradadas de manguezal, mas também pela recuperação das funções ecológicas e serviços que esse ecossistema provê para a comunidade.

As informações geradas pelo projeto tiveram impacto tanto na melhoria do conhecimento sobre o sistema manguezal, quanto nas ações realizadas com a comunidade, por meio de práticas e cursos. Da mesma forma, os resultados obtidos servem de subsídio para o plano de manejo da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, promovendo a sustentabilidade do uso dos recursos e serviços disponíveis no manguezal dessa região.

RISCOS E LIÇÕES APRENDIDAS

Os extrativistas que vivem na região são atores sociais de grande importância para o ecossistema manguezal e se engajaram nas atividades socioambientais propostas no escopo do projeto. Nesse sentido, as atividades de sensibilização permitiram que o apoio dos pesquisadores fosse bem recebido e que fosse reconhecida sua importância na recuperação das áreas degradadas de mangue dentro da reserva extrativista e em seu entorno.

Essa experiência mostrou que o envolvimento da comunidade é fundamental para a execução e o posterior sucesso dos projetos. Ao longo do projeto também ficou evidente que a articulação entre comunidade e academia fortalece as duas partes diante dos desafios cotidianos enfrentados. Os insumos gerados – como mapas de distribuição das árvores de mangue, distribuição do caranguejo-uçá, áreas de corte de madeira, áreas de potencial extrativo do caranguejo e estoque de carbono – também resultam desse diálogo, formando a base de dados para a implantação do plano de manejo já existente.

Por outro lado, a articulação com o poder público (especialmente Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio) poderia ter sido mais ativa, o que possibilitaria ampliar as ações de replantio e melhorar ainda mais a conscientização da população acerca da necessidade de mudança de atividades em prol de manejo e conservação dos manguezais dentro da Resex.

SUSTENTABILIDADE DOS RESULTADOS

Para dar continuidade às atividades iniciadas pelo projeto, os pesquisadores apoiados realizaram as seguintes parcerias:

  • Projeto Sequestro de Carbono e Recuperação das Florestas Desmatadas de Mangue na Península de Ajuruteua – Bragança, Pará. Edital 001/2010. Fundação Amazônia Paraense (Fapespa/Vale S.A.).
  • Projeto Efeito Toxicológico da bioacumulação de metais pesados em populações do caranguejo-uçá nos manguezais da Amazônia brasileira (CNPq).
  • Projeto Apoio à construção e consolidação de cadeias produtivas sustentáveis da pesca artesanal costeira da Amazônia brasileira (Unesco/Fundo Vale).

Também foram realizadas parcerias institucionais com a Universidade de São Paulo (USP) – campus de Piracicaba e de Ribeirão Preto e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus experimental do litoral paulista (São Vicente).